Encontro de Coletivos Fotográficos Ibero-Americanos

cobertura multimídia : garapa

Entrevista #4

Recebemos algumas boas respostas ao pedido que fizemos aos flickereiros do encontro. Embalados pela “não-definição” da palavra coletivo, publicamos agora as respostas do fotógrafo Márcio Isensee, que, justamente por não conseguir definir o coletivo, respondeu às duas opções de perguntas que fizemos, para coletivos e não-coletivos. Aí vai:

Se você faz parte de um coletivo: na real, não tenho certeza se faço parte de coletivo. Acho que, nos parâmetros que desenvolvemos os trabalhos da IZ (www.izfotos.com ou www.flickr.com/izfotos), podemos considerar um “coletivo de dois” (eu e o Lucas Zappa). Mas ainda estamos muito distante de nos fimarmos como coletivo, com trabalho autoral sólido… e vamos desenvolvendo os trabalhos comerciais juntos, já em um ritmo de coletivo…

O que é coletivo?
Acho que a grande característica de qualquer trabalho coletivo é a interferência recíproca que pode e deve ocorrer entre os participantes. Nesse sentido, tanto na produção quanto na pós-produção, é importante o diálogo para saber o que o(s) outro(s) acha(m) e sugere(m) do processo tomado.

Por que se organizar dessa maneira?
Porque na contemporaneidade o AUTOR perdeu credibilidade…. enquanto, na fotografia película, o autor levava os méritos por uma foto, sem levar em conta o laboratoristas e outros personagens envolvidos no processo, hoje, na fotografia digital, o autor pode ser qualquer ser humano munido de uma máquina que captura a luz através de sensores… A pós-produção veio à tona, os méritos (ou des-méritos) são compartilhados com o operador de photoshop, e a credibilidade da fotografia “de um autor” caiu…
Além, a produção de um discurso coeso dentro das reportagens/pautas produzidas coletivamente é imensamente mais interessante do que a produção individual…

Qual a importância de um espaço como esse encontro?
Exatamente para poder colocar essas questões e buscar respostas COLETIVAS sobre o processo de produção em coletividade. Indo mais além, acho que o intercâmbio entre pequenos coletivos gera grandes coletivos que, se não produzem junto fisicamente, aproximam suas linguagens e dividem suas experiências e práticas do dia-a-dia…

Se você não faz parte de um coletivo: exatamente por não ter certeza que a IZ é um coletivo, vou continuar respondendo as perguntas…

O que pensa sobre coletividade?
A abrangência e variedade que a produção coletiva proporciona é, certamente, uma caracteristica marcante dessa forma de produzir… Coletividade nas artes está na moda, mas acho que essa será a necessidade humana nas próximas decadas: coletivizar para não desaparecer entre bilhares de anônimos….

O que o levou a postar fotos no Flickr do evento?
Fui convidado pelo Iatã e, só isso, já me motivou a participar… Dividir o espaço (mesmo virtual) com a galera de outros coletivos também foi um impulso pra postar no grupo… Admiro o trabalho de vários entre os participante desde algum tempo e só a internet consegue democratizar a comunicação (como a que estamos tendo agora)…

Qual a sua expectativa em relação ao encontro?
Não parei pra pensar muito no evento por 2 motivos: 1o. é q não vou poder estar presente fisicamente, pois estou no Rio de Janeiro, enroladasso com o final de ano…. 2o. é que, exatamente por não poder estar aí, não preparei nada sobre o nosso “coletivo”, mas gostaria de poder ouvir outras experiências, principalmente da Cia de Foto que é referência de trabalho contemporâneo com fotografia!

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Primera noche en colectivo

Primeira noite de apresentações, quatro coletivos enfileirados no palco para conversar com o público e entre si. Garapa, Pandora, Supay Fotos e Monda Photo.

Com o portuñol bombando, hablamos de coletividade, autoria, formas de trabalho em coletivo e, claro, grana. Cada coletivo fez uma breve apresentação de seus métodos, e foi interessante observar como ‘coletivo’ é um conceito amplo, difícil de definir. Cada coletivo se define como a palavra melhor lhe convém, seja um grupo de indivíduos que se reúne para discutir os próprios trabalhos, até um trabalho em que todos os passos são pensados coletivamente.

Abaixo, para ilustrar, o trabalho dos espanhóis do Pandora:

Pandora @ flickr.com/encontrodecoletivos

Pandora @ flickr.com/encontrodecoletivos

Em breve, assim que a tecnologia permitir, publicaremos aqui o vídeo-remix-resumo que fizemos para o encontro.

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Do começo.

Coletivos nas ruas do centro de São Paulo.
Invasão de idéias e olhares internacionais em nossa cidade.
A primeira e mútipla atividade do workshop proposto pela curadoria do evento!

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Trama fotográfica

“O fenômeno dos coletivos é, portanto conceitualmente e não na sua forma uma questão da pós-modernidade. Por isso este evento é fundamental.”

Simonetta Persichetti, no blog Trama Fotográfica, comentando o Encontro.

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Entrevista #3

Muito bacana a proporção que o encontro já está tomando em seu segundo dia.

Como resultado desse evento, também no espaço virtual, o pessoal do coletivo Galeria Experiência, além de nos responder textualmente as perguntas que passamos pelo flickr, seguiram nossa sugestão e também gravaram áudio no gengibre para que todos possam ouví-los.

Essas experimentações estarão presentes na apresentação da Garapa que acontece hoje às 20:00 e vai debater um pouco sobre o papel dos coletivos.

Vamos a Galeria Experiência:
O que é coletivo?
Coletivo é uma alternativa frente às formas de organização (empresas, ONGs, sindicatos) na qual pessoas com crenças e objetivos em comum se unem em prol da produção de projetos que despertem questionamento e discussão na sociedade. Várias cabeças pensam melhor que uma.

Por que se organizar dessa maneira?
O coletivo questiona, muda, cresce, discorda, cai, ganha força, aprende, levanta, agrega, complementa. É um exercício diário de se desprender de velhos estereótipos e aceitar novos olhares.

Qual a importância de espaços como este encontro?
Encontros como esse proporcionam discussão e troca de experiência, vários coletivos pensam melhor que um.

E para ouvir as idéias do pessoal:

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Coletivizando

Dez da manhã e começam os trabalhos na Galeria Olido.
Ainda sob efeito da celebração de abertura do evento, os representantes dos coletivos se reuniram para dar início ao workshop que será desenvolvido, coletivamente, de hoje até domingo.
Ao redor da mesa, Cia de Foto, Rolê, NoPhoto, Blank Paper, Pandora, Kameraphoto, Mondaphoto, Supay Fotos e Sub, discutiram possibilidades para a produção de um ensaio fotográfico sobre a cidade de São Paulo.
O portuñol foi estabelecido como língua oficial do Encontro e, com fluência, os coletivos apresentaram suas propostas e expectativas em relação ao desenvolvimento do projeto. O resultado será apresentado publicamente no próximo domingo, na forma um relato audiovisual coletivo do olhar estrangeiro sobre a cidade.

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2 da manhã.

Depois da abertura, a celebração. Os coletivos se reuniram no Bar B, no centro de São Paulo, e entre cervejas e boa música, discutiram as possibilidades de intercâmbio de trabalho e diversão.


cia de foto

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19:30

No andar debaixo, o segundo da galeria Olido, está oficialmente aberta a exposição dos coletivos fotográficos. A chuva que caiu forte durante a tarde resolveu cooperar, no melhor do espírito coletivo, e agora a noite paulistana se oferece sem o calor quase islâmico que imperou durante o dia. Ou seja, mais uma desculpa para sair de casa e aproveitar a exposição.

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Entrevista #2

Dia de abertura, seguem mais dois trabalhos pinçados do grupo do encontro no Flickr, com os respectivos depoimentos.

A Carlos Gonçalves:

O que pensa sobre coletividade?
Acho importante artista, ou em qualquer atividade, se unirem em prol de um objetivo. E como o ditado diz “A união faz a força”.

O que o levou a postar fotos no Flickr do evento?
Recebi o convite e achei importante, já que faço parte da nova cena de grafite/estencil. É legal divulgar para o maior número de pessoas o meu trabalho e o meu conceito.

Qual a sua expectativa em relação ao encontro?
A troca de informações entre artistas é o que mais me impulsiona a participar.


 

Daniel Malva:

O que pensa sobre coletividade?
Em um mundo onde a tecnologia e a informação tomam conta do nosso dia a dia, a coletividade é importante. É com ela que conseguiremos usar todo esse conhecimento para algo útil e pacífico. Acredito que é apenas assim que as coisas boas acontecem. Unir conhecimentos e compartilhar cada experiência é um precedente sem igual para todos.

O que o levou a postar fotos no Flickr do evento?
Quero fazer parte de um coletivo, tenho um trabalho que gostaria de compartilhar e também fazer parte de algo.

Qual a sua expectativa em relação ao encontro?
Vejo aqui uma oportunidade de ser útil.
Minha expectativa é ter a chance de mostrar meu trabalho e compartilhar conhecimentos.

 

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Centro Coletivo

Está rolando, neste momento, a aula inaugural no cine Olido.

Após quase duas horas de conferência, Eduardo Brandão, Newton Massafumi e Raquel Rolnik falaram sobre a cidade e coletividade em vários aspectos. Iniciando a rodada, Brandão falou bastante sobre a Caixa de Sapatos da Cia de Foto, comentando a característica coletiva da obra, sua concepção, abordagem e sua relação de intimidade com cada um dos fotógrafos do coletivo. Se cada obra é sempre comparada a um parto, um filho, a caixa de sapatos da Cia de Foto é sua essência no melhor sentido da palavra.

Massafumi mostrou um apanhado de fotos aéreas da capital paulistana e demonstrou, principalmente aos coletivos internacionais, a expansão da cidade e sua evolução urbana.

Pegando o mesmo gancho a urbanista Raquel Rolnik usou tanto fotos aéreas, quanto pontos de vista do chão da cidade de São Paulo e focou sua participação em questionar a concentração de renda da capital que faz com que seus habitantes se desloquem de bairros distantes para encontrar empregos no centro da cidade. Rolnik também falou sobre o capital global presente em novos centros comerciais, como as margens do rio Pinheiros.

“Esse capital global, que parece estar sempre orbitando e às vezes resolve baixar em algum lugar, elegeu os novos prédios da marginal Pinheiros como foco na cidade, o que contribui ainda mais para a deterioração de São Paulo” e finalizou provocando aplausos, “entretanto, existe esperança, já que esse capital agora se encontra em colapso e as cidades necessitam se reestruturar, pois falar em revitalização do centro é um erro. Vida no centro já existe, falta capital de investimento”.

Ouça aqui um depoimento da urbanista Raquel Rolnik sobre a imagem e a cidade.

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