Dec 12, 2008 0
Entrevista #4
Recebemos algumas boas respostas ao pedido que fizemos aos flickereiros do encontro. Embalados pela “não-definição” da palavra coletivo, publicamos agora as respostas do fotógrafo Márcio Isensee, que, justamente por não conseguir definir o coletivo, respondeu às duas opções de perguntas que fizemos, para coletivos e não-coletivos. Aí vai:
Se você faz parte de um coletivo: na real, não tenho certeza se faço parte de coletivo. Acho que, nos parâmetros que desenvolvemos os trabalhos da IZ (www.izfotos.com ou www.flickr.com/izfotos), podemos considerar um “coletivo de dois” (eu e o Lucas Zappa). Mas ainda estamos muito distante de nos fimarmos como coletivo, com trabalho autoral sólido… e vamos desenvolvendo os trabalhos comerciais juntos, já em um ritmo de coletivo…
O que é coletivo?
Acho que a grande característica de qualquer trabalho coletivo é a interferência recíproca que pode e deve ocorrer entre os participantes. Nesse sentido, tanto na produção quanto na pós-produção, é importante o diálogo para saber o que o(s) outro(s) acha(m) e sugere(m) do processo tomado.
Por que se organizar dessa maneira?
Porque na contemporaneidade o AUTOR perdeu credibilidade…. enquanto, na fotografia película, o autor levava os méritos por uma foto, sem levar em conta o laboratoristas e outros personagens envolvidos no processo, hoje, na fotografia digital, o autor pode ser qualquer ser humano munido de uma máquina que captura a luz através de sensores… A pós-produção veio à tona, os méritos (ou des-méritos) são compartilhados com o operador de photoshop, e a credibilidade da fotografia “de um autor” caiu…
Além, a produção de um discurso coeso dentro das reportagens/pautas produzidas coletivamente é imensamente mais interessante do que a produção individual…
Qual a importância de um espaço como esse encontro?
Exatamente para poder colocar essas questões e buscar respostas COLETIVAS sobre o processo de produção em coletividade. Indo mais além, acho que o intercâmbio entre pequenos coletivos gera grandes coletivos que, se não produzem junto fisicamente, aproximam suas linguagens e dividem suas experiências e práticas do dia-a-dia…
Se você não faz parte de um coletivo: exatamente por não ter certeza que a IZ é um coletivo, vou continuar respondendo as perguntas…
O que pensa sobre coletividade?
A abrangência e variedade que a produção coletiva proporciona é, certamente, uma caracteristica marcante dessa forma de produzir… Coletividade nas artes está na moda, mas acho que essa será a necessidade humana nas próximas decadas: coletivizar para não desaparecer entre bilhares de anônimos….
O que o levou a postar fotos no Flickr do evento?
Fui convidado pelo Iatã e, só isso, já me motivou a participar… Dividir o espaço (mesmo virtual) com a galera de outros coletivos também foi um impulso pra postar no grupo… Admiro o trabalho de vários entre os participante desde algum tempo e só a internet consegue democratizar a comunicação (como a que estamos tendo agora)…
Qual a sua expectativa em relação ao encontro?
Não parei pra pensar muito no evento por 2 motivos: 1o. é q não vou poder estar presente fisicamente, pois estou no Rio de Janeiro, enroladasso com o final de ano…. 2o. é que, exatamente por não poder estar aí, não preparei nada sobre o nosso “coletivo”, mas gostaria de poder ouvir outras experiências, principalmente da Cia de Foto que é referência de trabalho contemporâneo com fotografia!

















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