Um rio são muitos rios

Para se contar a história, ou pelo menos algumas histórias de um rio, é preciso incorporar o balanço, a fluidez, o insondável, e saber que entre uma margem e outra as águas não correm para uma única direção: elas deslizam entre fatos e fábulas, lugares atemporais e vestígios, e por uma intrincada justaposição de tempos e espaços. (Eder Chiodetto)

A Margem

No escorregar das águas sobre a terra, a margem, essa linha conceitual, se esforça em demarcar separações. Em vão, mal sabe: que há tempos de estiagem e de tormenta, altas e baixas marés; que há o balançar mesmo das ondas, arrancando aqui nacos de terra, plantas, para depositá-los milhas acolá; há o ser homem, em seu intento contínuo de domesticar, em concreto e palavras (represar, retificar, eclusar), o que é natural. E há, sobretudo, o tempo – a história.