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Lágrimas de Capivara

26.05.2008 | Publicado por Rodrigo Marcondes



Há tempos venho me pressionando para postar algo no blog. Talvez por ser o membro menos internáutico da Garapa, talvez por ser crítico demais em relação aos tópicos que me proponho, ainda não tinha escrito nada. Mas vou tentar (mesmo sabendo que não vou colocar tantos links interessantes quanto o Leo e o Paulo costumam fazer).

mergulho no tiete

Fiz uma matéria semana passada sobre mergulhadores no rio Tietê . Não se trata de esporte, lazer, nem nada relacionado a scuba fun (se é que o termo existe). São mergulhadores profissionais, que de tempos em tempos descem nas águas escuras do velho e mal tratado Tietê com o objetivo de monitorar o leito do rio e fazer manutenções necessárias para a boa fluência das milhares de toneladas de bosta que São Paulo despeja no que potencialmente seria um dos cenários mais lindos da cidade.

O Tietê é tópico recorrente no meu discurso de botequim. Sempre que passo por ali ou penso no rio, imagino um projeto mirabolante de criar túneis gigantescos que engoliriam as marginais e transformariam a parte superior num parque gigantesco, cheio de opcões de lazer e cultura para o povo paulistano. Seria mais ou menos como os túneis da Imigrantes, passando com a marginal 10 metros abaixo da terra, e deixando a orla do rio livre do fluxo de automóveis. Às vezes penso até em, num dia de congestionamento recorde, desligar o ventilador de dentro do túnel e deixar uns 3 milhões de paulistanos motorizados morrerem dentro de suas máquinas. São Paulo ia sorrir.

Penso também na despoluição do rio. Mas não vou me aprofundar no assunto, talvez somente falar quatro nomes de rios que deveriam fazer todos os paulistanos darem uma mordidinha na alça do sutiã de vergonha e aborrecimento: Danúbio, Tâmisa, Tevere e Sena. Não preciso falar mais nada, né?

Para concluir, vou reproduzir o que um amigo inglês disse quando fui buscá-lo em Guarulhos: “Cara, mas qual é o ponto deste rio? Se vocês querem mesmo é que os carros passem por aqui, por que não tapam logo essa merda e constróem mais seis pistas?!” Nada como a pontualidade britânica!




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5 Comentários ↓

#1 Leo Caobelli em 05.29.08 às 2:47 pm

O melhor é que consigo até ouvir a frase do querido ex-prefeito com esse sotaque mezzo turco, mezzo parmegiana. O bom é que numa obra de oito pistas, pelo menos seis vão parar no bolso dele! Grande matemático Maluf de Souza

#2 Rodrigo Marcondes em 05.29.08 às 1:56 pm

Não posso deixar passar essa: Folha de São Paulo, 29/05/08- “O deputado Paulo Maluf reuniu ontem em Brasília cerca de cem congressistas e dois ministros para uma feijoada (…) disse que, se eleito prefeito de São Paulo vai “construir uma laje sobre os rios Pinheiros e Tietê, com oito pistas para trânsito. Entrego a obra em quatro anos”, afirmou. E assim resolvemos o problema; parabéns pela iniciativa, senhor Paulo Maluf!

#3 AnaSil em 05.27.08 às 2:27 pm

Eu fiquei pensando nas toneladas de bosta…
E nas fotos antigas (adoro fotos antigas) do que realmente foi uma das mais belas paisagens de SP.
Sinto realmente que NUNCA vai ser diferente e eu não sei explicar bem porque, as pessoas são egoístas demais, não sei nem se o povo brasileiro é mais egoísta do que os demais povos do mundo…acho que talvez por termos tantas riquezas naturais é que vamos fazendo pouco caso das toneladas de bosta…que merda !!!!
ANH !!! Acho que estou precisando freqüentar as conversas de botequins regadas (de muita) garapa.
Rô, escreva mais SEMPRE !

#4 Thais em 05.27.08 às 12:30 am

Não costumo passar por lá, mas passei do lado do Tietê hoje…
E lembrei que quando eu era criança, morava no interior e vinha pra São Paulo, na hora que chegava no Tietê eu começava a chorar e resmungar que queria voltar pra casa!

E acho que essa profissão deve ser uma das mais bizarras na hora de explicar quando alguém pergunta o que você faz da vida…

#5 Leo "uso bem meu carro" Caobelli em 05.26.08 às 11:08 pm

Pois bem, já elogiei as fotos e faço agora publicamente. A do cara só com a cabeça pra fora d´água é demais!
Sobre o assunto acho que nossas conversas de bar regadas a garapa destilada sempre tangem o tópico e fazem-me voltar ao argumento de que, mais do que modificações urbanas, a principal mudança que qualquer população precisa é a mudança dos seus hábitos de consumo. Seja o uso consciente do automóvel, ou a não poluição de rios (ou melhor, as duas juntas) o importante é fortalecer o ideal de cidadania que traz a responsabilidade sobre a cidade em que se vive e não apenas relega aos órgãos públicos a tomada de decisões.
Ou seja, já é hora do povo derrotar a opinião pública! (O Emir Sader que falou essa hoje, eu adorei)

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